Galácticos do Corinthians correm risco de pagar muito caro




Jogadores contratados pela MSI podem responder processo por receber salário fora do Brasil - Cosme Rímoli - Os "galácticos" que foram contratados pela MSI para jogar no Corinthians estão apavorados. As denúncias de que alguns deles teriam recebido dinheiro fora do Brasil são constantes e a Polícia Federal investiga a fundo. O medo é tanto que advogados e assessores de imprensa dizem que eles não têm nada a dizer sobre o assunto. Se for comprovado que receberam dinheiro em conta no exterior, os jogadores terão de responder pelo crimes de fraude e evasão fiscal. E se ficar comprovado que não declaravam o dinheiro recebido fora nas declarações do imposto de renda, correm risco de pena de dois a cinco anos de prisão. "Esses jogadores precisam mesmo ficar assustados. Eles perderam a proteção que o esporte dá. Eles não representavam o Corinthians quando receberam dinheiro fora do Brasil, mas a eles mesmos como cidadãos. Do lado esportivo eles estão livres, mas sujeitos à legislação comum e podem ser presos", disse o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Rubens Approbato Machado. "Vou falar em tese, porque não sei pormenores do caso Corinthians. Se a Polícia Federal comprovar que houve evasão fiscal, os atletas para não irem para a cadeia terão de pagar uma multa altíssima. A lei federal 8.137 prevê 100% de multa, mais juros e correção. E ainda mais a multa do Banco Central de R$ 250 mil por ano. Se houve a evasão, eles vão se arrepender, porque o prejuízo será enorme para evitar a prisão", diz o tributarista Ives Gandra Martins. A PF divulgou os telefonemas trocados pela cúpula corintiana. Os meias Carlos Alberto e Ricardinho foram citados. Os principais ‘galácticos’ estão sob suspeita - Tevez, Mascherano, Roger e Nilmar, além de Carlos Alberto e Ricardinho, estão sendo investigados. Em relação a Carlos Alberto, há uma citação direta de sua ex-mulher Gisele: ela deixou uma ameaça na caixa postal do jogador, às 11h10 do dia 5 de setembro de 2006. Disse que iria ‘abrir a boca’ sobre o pagamento dele ser feito metade no Brasil e metade na Suíça. Falando desde Bremen, na Alemanha, onde joga atualmente, Carlos Alberto foi claro: "As minhas contas estão abertas para a Polícia Federal, para quem for. Não recebi um centavo do Corinthians ou da MSI fora do Brasil. Sou uma pessoa limpa. Não tenho nada o que esconder. Não existe essa história de desvio, de lavar dinheiro." Ricardinho, citado por Kia Joorabchian por receber US$ 1,1 milhão (cerca de R$ 2,1 milhões) fora do País, nega as denúncias. "Eu não recebi nada fora. O problema é que o Kia não dominava bem o português", disse o jogador, que hoje atua no futebol turco.