Fiscal se defende de acusações, vistas como equívoco


Da Reportagem - Acusado pela Polícia Federal de participar do esquema criminoso desarticulado na Operação Termes, contra a exploração ilegal de madeira em Mato Grosso, o fiscal da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, José Marcondes dos Santos Neves, diz ter sido injustiçado e classifica sua prisão como uma precipitação e equívoco da corporação.

José Marcondes baseia sua afirmação no fato de que, em um ano de investigação feita pela PF, ele teve o seu nome citado apenas uma vez durante uma conversa por telefone entre a advogada Silvana Moraes Valente, apontada como a líder da quadrilha, e um cliente. Uma interceptação entre ele e a advogada também foi registrada. Nela, Silvana pede que ele “segure” um auto de infração para ela. O fiscal se defende alegando que, na linguagem administrativa, “segurar” o auto significa reter a primeira via, que deve ser enviada posteriormente ao dono da carga ou a seu legítimo procurador.

Na interceptação da polícia, o cliente conseguiu baixar o valor de uma autuação feita por José Marcondes de R$ 6.500 para R$ 1.200, em troca de propina. No entanto, o fiscal mostrou cópia do auto de infração nº 109140, de 29 de outubro de 2007, que mostra o valor da multa de R$ 6.500, o máximo permitido para aquele tipo de penalidade.

“Não houve nenhum outro indício de ligação com o meu nome. Eles sujaram minha reputação por causa de uma escuta telefônica onde outra pessoa me envolve em uma coisa que eu não fiz”, reprovou. Na opinião dele, os critérios usados pela Polícia Federal nas investigações mostrou a fragilidade do órgão. “Sou contra qualquer tipo de crime ou contravenção, mas isso não justifica prender pessoas que não têm envolvimento confirmado com eles”, avaliou.

Ele também pôs em xeque a atuação na PF em alguams operações ambientais deflagradas pela corporação: Currupira, Arco de Fogo e Termes. “Isso é perseguição do governo federal. Não admitem ter perdido o controle das florestas para o Estado em 2005”, defendeu.

José Marcondes também relata que passou um “desespero da inocência” enquanto ficou preso na unidade da Polinter, anexo do presídio Pascoal Ramos. “Foram 236 horas de agonia incomunicáveis. Não tive contato com a minha família. Passei o meu aniversário (dia 2) atrás das grades”.

Procurada pela reportagem, a Assessoria de Imprensa da Polícia Federal informou que o delegado responsável pelo inquérito, Carlos Eduardo Fistarol, não se pronunciaria sobre o caso, já que as investigações sobre o caso ainda estão em andamento. Diário de Cuiabá.