da Folha Online - A PF (Polícia Federal) prendeu nesta segunda-feira 22 pessoas, sendo 13 no Espírito Santo, três em São Paulo e seis em Rondônia, acusadas de integrar uma quadrilha que sonegou, no último ano, R$ 7 milhões em importações de carros, motos e mercadorias de luxo.
Os dois líderes do esquema --Adriano Mariano Scopel e Pedro Scopel-- estão entre os detidos no Espírito Santo. Também já foram confirmadas as prisões do ex-senador Mário Calixto Filho, dono do maior jornal em Rondônia, e de Ivo Junior Cassol, filho do governador de Rondônia, Ivo Cassol, ambos em Rondônia.
Segundo o Ministério Público Federal, ao todo a Justiça decretou a prisão temporária de 23 pessoas na chamada Operação Titanic. Um dos investigados, um capixaba que está nos Estados Unidos, será preso pelo FBI e deportado para o Brasil.
Também já foram presos três auditores da Receita Federal em Vila Velha e um servidor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), cujos nomes não foram divulgados. Em Rondônia, os outros quatro presos são Rogério Moreira, Ronaldo Benevídeo dos Snatos, Edcarlos Tibúrcio Pinheiro e Alessandro Cassol Zaboti.
As investigações, que começaram há pouco mais de um ano, indicaram que a fraude se dava com a participação de empresários brasileiros e estrangeiros, contadores, servidores públicos (auditores da Receita), advogados e corretores de câmbio. Segundo a PF, em dois anos foram importados mais de R$ 21 milhões em carros de alto luxo -- só no ano passado, foram cerca de 190 veículos, como Ferraris, Lamborghinis, Porsche e Nissan Infiniti, entre outros.
O empresário capixaba Adriano Mariano Scopel é acusado de chefiar a quadrilha ao lado do pai, Pedro Scopel. Eles são donos da empresa Tag Importação e Exportação de Veículos Ltda, uma das maiores importadoras de veículos de alto luxo do país.
Segundo informou o Ministério Público em nota, a quadrilha utilizava o Terminal Portuário de Peiú, na região metropolitana de Vitória, como pátio de negócios --Pedro Scopel é o detentor da exploração da concessão do terminal.
Para fraudar o Fisco, Adriano Scopel se utilizava do corpo funcional da Tag Importação e Exportação e contava com a ajuda de informantes em órgãos públicos brasileiros. Scopel controlava as compras dos automóveis e das mercadorias de luxo no exterior, a cotação de câmbio para a realização das operações, a cooptação de empresas responsáveis pela remessa de dinheiro ao exterior, a contabilização dos lucros e a distribuição de propina.
Entre os crimes cometidos pela quadrilha, segundo o Ministério Público, estão corrupção de servidores públicos, contabilidade fictícia, inserção de informações falsas em contratos de câmbio com vistas a promover evasão de divisas, descaminho, lavagem de bens e capitais, corrupção passiva e tráfico de influência.
PF prende filho do governador de Rondônia na Operação Titanic
Ivo Junior Cassol é acusado de participar de um esquema de fraudes na importação de veículos de alto luxo
O Estado de S. Paulo
Marcelo Auler, de VITÓRIA - A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira, 7, durante a Operação Titanic, o filho do governador de Rondônia, Ivo Cassol. Além de Ivo Junior Cassol, foram presos o sobrinho do governador, Alessandro Cassol Zabott e o ex-senador e atual suplente do senado, Mário Calixto Filho.
O envolvimento do governador Cassol, assim como do seu secretário de finanças, José Genaro de Andrade, com as fraudes na importação de veículos de alto luxo pela importadora TAG não está descartado, mas terá que ser investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), já que o governador tem direito a foro privilegiado.
A TAG, cujos proprietários Pedro (pai) e Adriano Scopel (filho) foram presos nesta manhã em Vitória, é oficialmente uma empresa de Rondônia, mas tem apenas uma sala comercial no Estado, localizada no centro empresarial em Porto Velho.
A empresa goza de regime tributário diferenciado e, graças a uma negociação feita por Adriano Scopel com o ex-senador, o filho do governador e o próprio Cassol, ela tem direito a crédito de 85% do valor do imposto devido pela saída interestadual de mercadoria importada. O problema é que as mercados jamais passam por Rondônia.
Ainda em Rondônia, foram presos o auditor da Receita Federal, Edcarlos Tibúrcio Pinheiro, o amigo dele, Reginaldo Aparecido dos Santos - titular das contas bancárias nas quais era depositado o dinheiro para Edcarlos e os dois empregados da TAG, Ronaldo Benevidio dos Santos e Rogério Moreira. Todos os presos serão levados para Vitória ainda nesta tarde.
Espírito Santo
No Espírito Santo, a PF prendeu, além de Adriano e Pedro Scopel, mas 14 pessoas envolvidas no esquema de fraude. A operação envolve ainda três em São Paulo.
Adriano Scopel resistiu à prisão e os agentes tiveram que fazer uso de uma marreta para entrar em seu apartamento, no edifício Paládio, na Praia da Costa. Entre as prisões ocorridas na cidade de Vitória, estão a de três auditores da Receita Federal. Entre eles, o casal Max Pimentel de Almeida Marçal e Leisa Cristina Ortega Amaral, que, segundo as investigações, receberam dinheiro da firma chefiada por Adriano Scopel para liberar carros de alto luxo e motos potentes importadas com o valor subfaturado.O terceiro auditor preso é Alberto Oliveira, que, segundo a PF, também estaria envolvido no esquema.
As importações de carros eram realizadas junto a duas empresas estrangeiras que exportavam os veículos e motos com documentos adulterados, reduzindo o preço de venda para conseqüentemente reduzir os impostos a serem pagos no Brasil. Uma delas é a Global Business, do Canadá, chefiada pelo brasileiro Eduardo Sayegh, que estava em São Paulo, onde foi preso. A outra é a americana E&R Logos Companie Inc., cujo proprietário é Clenilson de Farias Dantas. A PF ainda não explicou se há mandado de prisão contra ele.
Também foram presos no ES a contadora Aldeni Avelar Portela Silva, da Zip Assessoria Contábil, que cuidava das fraudes na contabilidade da importadora de veículos Tag, de propriedade da família Scopel. Outro detido foi Jorge de Oliveira, corretor de valores, que fazia as remessas ilegais de numerário para o exterior. Dos empregados ligados à Tag foram presos em Vitória Aguilar de Jesus Bourguignow, uma espécie de gerente da empresa assim como Maurenice Gonzaga de Oliveira. Outro empregado preso foi Rodolfo Beligo Legnaioli.
Na lista de presos estão ainda Alessandro Stockl, proprietário da oficina onde ficavam guardados os carros importados ilegalmente, e Fernando Silva do Couto, um empregado que emprestava o seu nome para lavagem de dinheiro ou de bens adquiridos irregularmente pelo dono da Tag. Há ainda a participação de um brasileiro residente nos EUA que colaborava com a emissão de documentos de exportação de veículos subfaturados.
Adriano e Pedro Scopel ganharam notoriedade em 2006 ao levarem ao Salão de Automóvel em São Paulo seis carros italianos da marca Lamborghini, que foram apreendidos por estarem em situação irregular. Eles também foram acusados de ter adquirido a lancha que era de propriedade do narcotraficante Juan Carlos Ramires Abadía.