Jorge Franco - MidiaMaxNews - Embora as autoridades sanitárias insistam em alertar que este período do ano é propício para a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, Campo Grande vem enfrentando falhas na fiscalização da limpeza de terrenos e residências. Os fiscais da Semur (Secretaria Municipal de Urbanização) e da Vigilância Sanitária, estão adotando critérios desiguais na emissão de autos de infração.
Na edição desta quarta-feira (dia 30), por exemplo, o Diário Oficial do Município traz o auto de infração contra Eliza de Almeida Dorileo, que recebeu o prazo de dez dias para efetuar a limpeza do quintal de sua residência, situada no número 222 da Rua Ciro Araújo França, na Vila Margarida. Se isso não ocorrer, ela estará sujeita a pagar multa que pode variar deR$ 3.358,00 a R$ 7.275,00. Segundo o auto de infração,o imóvel apresenta água estagnada, lixo acumulado, entulhos e restos de árvores. A reportagem do Midiamax esteve no local nesta manhã e constatou que houve exageros por parte da fiscalização.
O critério de fiscalização torna-se desigual, na medida em que os fiscais não atendem, por exemplo, a reclamação feita pelo comerciante Hemerson da Silva, que chegou a protocolar uma carta ao prefeito Nelsinho Trad (PMDB), após insistir dezenas de vezes na denúncia de um imóvel abandonado. De propriedade de Maria Lúcia Passarelli, o imóvel no número 167 da Rua Aquidauana, na Vila Cidade, no centro da Capital, está tomado por matagal e em condições bem piores que a residência de Eliza Dorileo que foi autuada.
"Por várias vezes ligamos para o telefone 137 e reclamamos dessa situação. Acredito que o proprietário tenha favorecimentodos fiscais, pois nunca é vistoriado, além de ser um lugar insalubre e que desvaloriza a região pelo seu aspecto feio e com muita sujeira", disse Hemerson da Silva na carta enviada ao prefeito Nelsinho Trad.
O imóvel da Rua Aquidauana não é o único a ser ignorado pelos fiscais da Semur e da Vigilância Sanitária. Nas esquinas das ruas José Antônio e Paineiras, uma área do Ministério da Defesa, pertencente ao Exército, está tomada pelo matagal desde o início de dezembro do ano passado. Moradores do edifício Barietê reclamam que o local há muito tempo virou depósito de lixo e de entulho.
Carlos Oliveira de Abreu, que possui um terreno no cruzamento das ruas Jauru com Xingu, no bairro Monte Carlo, disse que foi orientado a fazer a limpeza. "Os fiscais disseram que eu poderia acumular todo o entulho na frente da área, que um caminhão da Semur viria retirá-lo. Já faz duas semanas que o lixo está aí", reclama o proprietário.
Fiscalização intensa
Supervisor da Semur, Rui Nunes contesta que haja desigualdade no critério de fiscalização. "A cidade é grande e os fiscais estão atuando com muito rigor. Primeiro orientam os moradores, insistem e por fim emitem o auto de infração", garante Rui Nunes, lembrando que somente no ano passado foram emitidos 24.342 autos para limpeza de terrenos e residências.
"Desse total, cerca de 30% acabou resultando em multa aos proprietários", garante Rui Nunes, ressaltando que somente neste mês de janeiro, já foram emitidos mais de 30 autos de infração. "Estamos fechando o balanço e ainda não temos os números exatos", explica o supervisor.